MARÇO

30/03/2009

DENÚNCIA I

O superintendente da Fundação Municipal de Esportes de Navegantes, Gérson Fagundes (PP), foi acusado de ser professor fantasma em Itajaí. A denúncia foi feita sábado, no programa ‘Balanço Semanal’, da Rádio Clube. O vereador Marquinhos (PT) afirmou que possui documentos que comprovariam que Gérson, além do cargo comissionado em Navegantes, estaria lotado como professor de educação física de 40 horas semanais (período integral) na escola municipal Yolanda Laurindo Ardigó.

DENÚNCIA II

Ouvido pela coluna, Gérson Fagundes confirmou que é professor em Itajaí, mas esclareceu que faz 20 horas semanais (apenas um período), havendo compatibilidade de horário entre os dois cargos, portanto. “Meus horários são compatíveis, pois faço 20 horas. Se disseram que faço 40 horas, é uma informação inverídica”, defende-se. O prefeito Roberto Carlos (PSDB) também defendeu Gérson. “A lei permite que professor ocupe dois cargos públicos desde que os horários sejam compatíveis”, disse o tucano.

TELHADO DE VIDRO

Leio no DIARINHO que o prefeito Jandir Bellini (PP) ficou “chocado” ao visitar o Centro de Eventos e constatar que o mesmo não deveria ter sido inaugurado pelo seu antecessor, Volnei Morastoni (PT). “A obra está pela metade. Não deveriam nem ter inaugurado”, revoltou-se. Fica a pergunta: se Bellini acha errado inaugurar obras inacabadas, por que então inaugurou o paço municipal da Vila Operária, em dezembro de 2004, sem as mínimas condições de uso?

HABITAÇÃO I

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) rebateu as críticas contra o programa nacional de habitação, que prevê a construção de um milhão de casas para famílias com renda de até 10 salários mínimos. A oposição chama o programa de “eleitoreiro”. Ideli lembrou que outras ações governamentais que beneficiam os pobres recebem o mesmo rótulo, como o programa Bolsa Família. E que tal tratamento negativo não se percebe em relação a medidas que beneficiam os ricos ou a classe média, como a redução do IPI.

HABITAÇÃO II

“Quem se beneficia da redução do IPI, além dos efeitos na economia, não é a mesma população do [programa] Bolsa Família, do Território da Cidadania e nem da maioria das pessoas que vão se beneficiar com esse programa de um milhão de casas. Quando beneficia a grande maioria da população mais sofrida, aí é eleitoreiro. Quando beneficia setores da classe média, da classe alta, grandes setores produtivos, aí é medida correta”, observou a senadora.

HABITAÇÃO III

A propósito, Ideli anunciou que pretende, junto com a bancada catarinense no Congresso Nacional, aumentar de 24 mil para 30 mil o número de casas a serem construídas em Santa Catarina. “Vamos sensibilizar o presidente Lula e pedir um aumento do número de moradias para Santa Catarina. Até porque os dados do IBGE sobre o déficit habitacional do estado foram colhidos antes da enchente e, portanto, não contemplam aquelas famílias que perderam suas casas com a catástrofe”, explicou.

CONTA GOTAS

O deputado federal Paulinho Bornhausen (DEM-SC) voltou a criticar a demora na liberação dos recursos da União para a reconstrução das cidades atingidas pela enchente no Vale do Itajaí. “O dinheiro da Medida Provisória [448/2008], embora empenhado, está saindo a conta gotas”, reclamou. O parlamentar catarinense também criticou a paralisação do serviço de dragagem do canal do complexo portuário de Itajaí e Navegantes por falta de pagamento.

EDUCAÇÃO

Hoje e amanhã, o deputado João Matos (PMDB-SC) organiza, no Hotel Nacional, em Brasília, encontro com um grupo de secretários municipais de Educação de Santa Catarina. O evento deverá contar com a participação de 65 profissionais de educação. De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, representantes dos ministérios da Educação, Esportes, Meio Ambiente e Cultura foram convidados para expor seus programas e projetos financiados por suas respectivas pastas.

BOICOTE

Membros do PMDB de Pomerode estão magoados com LHS. Dizem que quando ele aparece por lá enche a bola do secretário de Estado de Turismo, Gilmar Knaesel (PSDB), e não dá pelota aos seus correligionários. Por conta disso, decidiram boicotar os atos com a presença do governador em Pomerode. Foi assim no início do mês, quando LHS inaugurou uma rede de gás na cidade. “Ele [LHS] trabalha pelo seu projeto pessoal, não pelo partido”, disse um vereador pomerodense do PMDB.

CENSURA I

Leandro Fortes, jornalista da revista Carta Capital, enviou carta aberta aos jornalistas brasileiros na qual denuncia a prática de censura por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Leandro Fortes relata que a exibição de um programa na TV Câmara, do qual participou como convidado, foi retirado da programação da emissora, segundo ele, a pedido do ministro. O conteúdo do programa que ficava disponível na internet também foi censurado.

CENSURA II

“Citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista Carta Capital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto”, conta Leandro Fortes na carta.

MAIS UM

Há duas semanas, a coluna comentou que o PFL – que hoje se chama DEM – não tem jeito: mudou de nome, mas não se livra dos escândalos. Foram citados o famoso caso do castelo do deputado Edmar Moreira (DEM-MG) e o pagamento de R$ 6,2 milhões em horas extras a servidores do Senado em pleno recesso de janeiro, autorizado pelo senador Efraim Morais (DEM-PB). Soma-se agora a doação ilegal da construtora Camargo Corrêa para sete partidos, entre eles o DEM, segundo a Polícia Federal.

23/03/2009

“A sabedoria torna bons os homens. A simulação da sabedoria torna-os péssimos”, Juan Luis Vives, humanista espanhol

CRIMINALIDADE I

Em 9 de maio de 2007, o secretário de Estado de Segurança Pública, Ronaldo Benedet (PMDB), participou de uma reunião no auditório do aeroporto de Navegantes, onde ouviu queixas de lideranças políticas, empresariais e comunitárias sobre a farra da criminalidade na cidade. Naquele ano, até a data da reunião, a cidade contabilizava sete homicídios. Em 2009, registram-se até o momento nove assassinatos em Navegantes – e em menos tempo, uma vez que estamos em março.

CRIMINALIDADE II

Ou seja, desde a visita de Benedet, a coisa piorou. Isso sem falar nos assaltos, arrombamentos, etc. Detalhe: até o último dia de 2008, o município foi governado pelo partido do governador do Estado. E desde o primeiro dia de 2009 é administrado pelo partido do vice-governador. Nada disso parece adiantar para que haja melhores resultados no combate ao crime em Navegantes. A população, impotente e assustada, vê a cidade ocupar cada vez mais espaço nos noticiários policiais.

CONTRADIÇÃO

Depois da reforma administrativa que quase dobra o número de cargos comissionados e aumenta os salários dos mesmos em Navegantes, o prefeito Roberto Carlos (PSDB) deve enviar à Câmara em abril um projeto de lei para reajustar os salários dos servidores municipais efetivos. O que causa estranheza é que estas medidas são adotadas num momento em que a prefeitura vive uma situação financeira caótica, sem sequer poder receber recursos do Fundo de Participação dos Municípios. O próprio prefeito tem dito que pode deixar de pagar fornecedores e demitir funcionários por falta de dinheiro…

SEM CPI

O vereador Marquinhos (PT) ainda não conseguiu as assinaturas suficientes para pedir a instalação de uma CPI para investigar o caso dos funcionários supostamente fantasmas de Navegantes. Além do proponente, são necessárias as firmas de pelo menos mais três vereadores. Creio que Marquinhos não vai conseguir as assinaturas, pois investigar a fundo esta questão não interessa nem ao PSDB e nem ao PMDB. Quem perde é a comunidade, que teria a chance de ver este assunto passado a limpo.

DEFESA CIVIL I

Outro dia, na Câmara, o vereador Níkolas Reis (PT) qualificou como “balela” a reestruturação – ou a falta de reestruturação – da Defesa Civil de Itajaí na reforma administrativa do governo Jandir Bellini (PP). “Na realidade, não se mudou praticamente nada”, observou. “A Defesa Civil precisa de reestruturação com urgência sob pena de a cidade padecer novamente de uma catástrofe e a Defesa Civil não estar preparada para atender a população”, alertou o petista.

DEFESA CIVIL II

Já o vereador Laudelino Lamim (PMDB) lamentou o fato de a prefeitura de Itajaí não ter inscrito ninguém num programa de capacitação na área de Defesa Civil, promovido pelo Ministério da Integração Nacional, mesmo sendo cursos totalmente gratuitos. “Se perdeu uma ótima oportunidade de capacitar algumas pessoas para numa eventualidade estarem preparadas para enfrentar o pior” criticou. Em fevereiro, Lamim havia protocolado requerimento alertando o governo sobre estes cursos.

BAÚ I

A região do Baú, em Ilhota, ficou nacionalmente famosa no ano passado por ter sido o local que mais registrou mortes durante a catástrofe climática que se abateu sobre o Vale do Itajaí. Depois da tragédia, os moradores locais enfrentam grandes dificuldades para recomeçar a vida. A agricultura, principal atividade econômica local, foi seriamente prejudicada. A comunidade cobra assistência aos agricultores, na forma de um auxílio-reação aos que perderam a plantação.

BAÚ II

E há outros problemas. Estradas, creches e escolas ainda não foram recuperadas. Os serviços de energia elétrica e telefonia também estão deficientes. Passaram-se quatro meses e pouco foi feito para recuperar aquela área. Na semana passada, houve uma audiência pública no Braço do Baú que reuniu cerca de 600 pessoas e contou com a participação de deputados estaduais, entre eles Deba Cabral (PMDB) e Ana Paula Lima (PT). Espera-se que esta reunião resulte em ações concretas.

VICE

O deputado federal João Matos (PMDB), que mora no bairro do Gravatá, em Navegantes, tem colocado seu nome à disposição do partido para compor como candidato a vice-governador uma eventual dobradinha com Eduardo Pinho Moreira, no caso de chapa pura. Um sinal claro de que a tríplice aliança pode mesmo ir para o espaço no ano que vem. A propósito, Luiz Henrique continua afirmando que não existe acordo com Leonel Pavan (PSDB) para renunciar e deixar o vice assumir em 2010.

DESUNIÃO

Duvido que haja em Santa Catarina uma bancada de vereadores mais desunida que a do PMDB de Navegantes. Na semana passada, por exemplo, o vereador Lino teve dois requerimentos rejeitados, sendo que um deles recebeu voto contrário da própria líder do partido na Câmara, a vereadora Maria Flor. Lino pedia esclarecimentos ao Executivo sobre serviços contratados sem licitação. A impressão que dá é que Lino está isolado dentro de seu próprio partido e que o PMDB é mais governista do que oposição.

QUEM DIRIA

Edson Lima, ex-presidente do PMDB de Balneário Piçarras, entrou em contato com a coluna para tecer elogios ao seu outrora adversário, o prefeito Umberto Luiz Teixeira (PP). Segundo o peemedebista, Umberto está fazendo obras importantes no bairro Nossa Senhora da Paz, o mais atingido pelas chuvas. Edson Lima critica ainda o ex-prefeito Leonel Martins (PSDB), afirmando que a tubulação instalada no bairro no ano passado foi uma “obra eleitoreira” e não resolveu o problema.

CAVEIRA DE BURRO

O tema da coluna não é futebol, mas não dá para não lamentar o rebaixamento do Marcílio Dias. Depois de escândalos envolvendo o porto e da enchente no ano passado, agora acontece mais essa. Parece que enterraram uma caveira de burro em Itajaí.

16/03/2009

“Amílcar Gazaniga não votaria na Dilma Rousseff nem se o Amin e o Maluf implorassem de joelhos na praça da Igrejinha da Imaculada Conceição”, Felipe Damo, presidente do PT de Itajaí, sobre uma coligação entre PT e PP em Santa Catarina

CAVALO DE TRÓIA

Depois de a superintendência do porto de Itajaí anunciar, logo nos primeiros dias de janeiro, que pretende arrendar o que resta de público do cais portuário, agora é a vez do Semasa entrar na fila. Se não fossem os protestos da oposição, seria aprovado, quinta-feira, na Câmara de Vereadores, um projeto de lei que permitiria a concessão a terceiros dos serviços prestados pela autarquia municipal. Diante da repercussão negativa, a bancada do governo retirou o projeto da pauta.

O projeto de lei 38/2009 altera a lei 3.863, de 8 de janeiro de 2003, que criou o Semasa, dando nova redação ao artigo 2º nos seguintes termos (grifo do colunista):

I – Coordenar o planejamento, controlar e gerenciar a execução e operação dos serviços públicos de abastecimento de água potável e coleta e tratamento de esgotos, cuja execução, tratamento, operação e manutenção poderão ser contratados, autorizados ou concedidos a terceiros, obedecendo a legislação de licitações e contratos e/ou de concessões públicas;”

O que causa espanto é a forma pouco transparente como o Executivo tentou aprovar a matéria: na surdina, sem discutir com os vereadores e com a população, a maior interessada. A tentativa do governo foi por água abaixo porque a oposição percebeu o cavalo de Tróia e berrou. Coincidentemente, a pedido do vereador Marcelo Werner (PCdoB), foi aprovada na sessão anterior uma audiência pública para tratar justamente da água em Itajaí, no dia 23. Será uma boa oportunidade para discutir esta questão.

A CRUZADA DE PISSETTI

O vereador Luiz Carlos Pissetti (DEM) tem travado uma cruzada contra o fato de o eleitor itajaiense prestigiar os chamados pára-quedistas, políticos de outras cidades que ganharam muitos votos por aqui. Ele fez um discurso inflamado na sessão de terça-feira passada e repetiu a dose no entrevistão concedido ao DIARINHO. “É uma vergonha que Itajaí não tenha um deputado federal. Temos que pedir penico para deputado de Florianópolis, Blumenau ou Navegantes”, esbravejou.

Bem que Pissetti poderia ter dito isto ao seu colega de partido Paulinho Bornhausen, que o visitou na Câmara no dia 13 do mês passado. Pissetti tenta colocar a culpa na imprensa, mas sabe que se há um culpado pela mixaria de votos que recebeu em Itajaí no pleito de 2006 – quando se atreveu a candidatar-se a deputado federal contra a vontade de gente graúda de seu próprio partido –, este é o seu correligionário Paulinho, que encampou o apoio e os votos da sigla e aliados na região.

A propósito, o colega JC, que sabe tudo da política peixeira, abordou o tema na época (14/08/2006): “Segundo fontes da coluna, existem hoje em Itajaí dois PFLs. Um seria o ligado ao filho do poderoso chefão nacional do partido, Jorge Bornhausen, o Paulinho Bornhausen. Já outro seria o do presidente da agremiação partidária, João Omar Macagnan, Luiz Carlos Pissetti, Paulo Mannes, etc e tal. E que logo após o fim do pleito, o pessoal ligado à Bornhausen vai pedir que Macaganan e seus aliados se retirem do PFL. Será que será?

Pissetti, portanto, foi boicotado pelo seu próprio partido.

“NÃO ANISTIAMOS NINGUÉM”

O presidente do PT de Itajaí, Felipe Damo, usou palavras ácidas ao rechaçar por antecipação uma eventual aproximação com o PP do prefeito Jandir Bellini, mesmo no caso de coligação entre as siglas na esfera estadual. “A ditadura perseguiu, torturou e matou milhares de brasileiros e aqui em Itajaí foi apoiada, a vida inteira, pelos Konder, pelos Bornhausen e por boa parte desta gangue que hoje está no poder. No PT, nós não anistiamos ninguém”, disparou no programa ‘Balanço Semanal’, da Rádio Clube.

RECONHECIMENTO

Em palestra na Portonave, o superintendente do porto de Itajaí, Antônio Ayres dos Santos Júnior, teceu elogios ao governo Lula (PT). “Estou desde 1971 no serviço público e nunca vi a burocracia nacional funcionar tão rapidamente”, disse Ayres, ao comentar o socorro federal à recuperação do complexo portuário após a enchente. Ele também elogiou a gestão anterior do porto de Itajaí, reconhecendo que seus antecessores foram “rápidos e competentes” na elaboração do projeto de reconstrução.

SEM CONVÊNIO

A comitiva do porto de Itajaí voltou de Brasília com as mãos abanando. Vencido em janeiro, o convênio da Via Portuária não foi renovado. Dos R$ 31 milhões previstos para a primeira etapa da obra, o governo municipal anterior só aproveitou R$ 3,2 milhões. “Prestamos contas do contrato e não houve possibilidade de renovação do convênio nos termos atuais”, explicou Ayres, em reunião do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) na sexta-feira. Agora, é recomeçar do zero…

COLOMBO

O DEM catarinense deve lançar hoje, no seu encontro estadual, em Florianópolis, a pré-candidatura do senador Raimundo Colombo ao governo do Estado. É esperada a presença do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Resta saber o que será da polialiança PMDB/PSDB/DEM/RBS no ano que vem, já que o tucano Leonel Pavan e o peemedebista Eduardo Pinho Moreira (ou Dário Berger) também estão firmes no propósito de se lançarem candidatos ao Centro Administrativo.

NÃO TEM JEITO

O PFL – que hoje se chama DEM – mudou de nome, mas não consegue se livrar dos escândalos. Só neste ano foram dois. E olha que ainda estamos em março. Além do famoso caso do castelo do deputado Edmar Moreira (DEM-MG), agora explode o descalabro do pagamento de R$ 6,2 milhões em horas extras aos funcionários do Senado em pleno recesso de janeiro. O pagamento foi autorizado pelo senador Efraim Morais (DEM-PB), então primeiro-secretário da casa.

09/03/2009

O “RIGOROSO” TSE

As recentes cassações de governadores têm rendido elogios ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sentido de que os ministros estão, finalmente, rigorosos com os que se favoreceram de práticas irregulares na campanha. Discordo. Não pode ser considerado rigoroso um tribunal que leva mais de dois anos para julgar um governador suspeito de ganhar uma eleição de forma não limpa. Onde está a “rigorosidade” em cassar um governador depois da metade do mandato que ele assumiu por meios ilegais?

É como se um jogador de futebol cometesse uma falta digna de expulsão no primeiro minuto da partida e o árbitro só resolvesse lhe mostrar o cartão vermelho no segundo tempo. A punição é aplicada, mas a injustiça não é reparada por completo. Pelo contrário, fica a sensação de que o punido é o segundo colocado da eleição, que já fora prejudicado, pois vai assumir a cadeira como tampão e terá pouco tempo para governar.

De qualquer forma, é um avanço ver a punição chegar, ainda que tardiamente. Mesmo que, nestes casos, o velho ditado que diz “a justiça tarda, mas não falha”, não pareça servir como um bom consolo. É necessário que a legislação eleitoral limite as artimanhas protelatórias dos advogados e que o TSE crie mecanismos para que os processos sejam julgados com maior agilidade e rapidez.

PREOCUPADO

Leonel Pavan (PSDB) confessou à coluna que está preocupado com o julgamento no TSE, que já cassou os governadores e vices da Paraíba e do Maranhão. Pavan ressalta, porém, que nos outros processos os vices não foram ouvidos, ao contrário do que ocorre no caso barriga verde. “As supostas irregularidades denunciadas (abuso de poder econômico e uso indevido de meio de comunicação) datam de quando eu era senador, bem antes de ser candidato a vice-governador”, defende-se. Pavan destoa do governador Luiz Henrique (PMDB), que se diz tranquilo e confiante na vitória em Brasília.

SÃO TOMÉ

Esperidião Amin (PP), que assumiria o governo caso Luiz Henrique e Pavan sejam mesmo cassados, se mostra cético. Abordado pelo colunista sobre o assunto, o ex-governador devolveu com outra pergunta: “Você acha que eles serão cassados?”. O fato de os governadores da Paraíba e do Maranhão terem perdidos seus mandatos não significa que o de Santa Catarina terá o mesmo destino. Sem subestimar a força de seus adversários nos bastidores, Amin prefere agir como São Tomé.

DIVERGÊNCIA

Houve divergência de números na pouco produtiva reunião promovida pela comissão de deputados federais, sexta-feira, em Itajaí, sobre os repasses previstos na Medida Provisória 448/08 (enchente) para Santa Catarina. De acordo com material distribuído pelo oposicionista Paulinho Bornhausen (DEM), foram pagos R$ 156 milhões. Por sua vez, o material distribuído pelo governista Décio Lima (PT) informa que o governo federal pagou R$ 192 milhões. A diferença está nos repasses do Ministério da Defesa.

CADÊ O MILHÃO?

O vereador Sérgio de Mello (PMDB) quer saber onde foi parar o dinheiro – R$ 1 milhão – que seria investido na implantação do sistema de tratamento de esgoto na praia de São Miguel, em Penha. De acordo com o vereador, em 2007 foi firmado convênio entre a prefeitura e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no valor de R$ 600 mil, com contrapartida da Casan de R$ 400 mil. Os valores já estariam assegurados, mas nada de a obra começar.

ESPERANDO

O prefeito Roberto Carlos de Souza (PSDB) está esperando até hoje a visita do governador Luiz Henrique, que lhe foi prometida em janeiro, pelo próprio governador, para tratar da Via Portuária de Navegantes. Segundo o prefeito, R$ 2,5 milhões (que seriam utilizados para as desapropriações) estão bloqueados pelo governo do Estado devido a problemas na prestação de contas do governo municipal anterior.

PONTE

O deputado estadual Deba Cabral (PMDB) está otimista quanto ao andamento do projeto da ponte entre os centros de Itajaí e Navegantes. Segundo ele, o projeto está sendo elaborado pela Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri) e deve ser concluído nos próximos meses. Deba ressalta que já estão previstos R$ 120 milhões para esta obra no Plano Plurianual (2008-2011) do governo federal.

BETO CARRERO – No próximo dia 18, às 19h, a Câmara de Vereadores de Penha promove sessão solene em homenagem ao falecido empresário Beto Carrero, no Castelo das Nações.

BATATA ASSANDO – A Justiça Eleitoral ouve hoje as testemunhas do processo sobre o doador “fantasma” da campanha do prefeito de Balneário Camboriú.

BRASÍLIA – Comitiva do porto de Itajaí vai a Brasília para tratar da renovação do convênio da Via Portuária. O convênio da primeira etapa venceu em janeiro.

PONTO DE VISTA – Luiz Henrique afirmou que o pior saldo das enchentes foi a perda de receita de R$ 270 milhões. Eu pensava que fossem as mais de 200 pessoas que morreram na tragédia…

SINCERIDADE – O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), foi sincero ao dizer que sua visita a Itajaí era meramente simbólica.

SACANAGEM – Segundo dados da prefeitura, diretoras de escolas municipais de Navegantes recebiam, na gestão anterior, além do salário de diretora, também o de professora, mesmo sem dar aula.

MELHORAS – A coluna faz votos de melhoras ao prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP), submetido a uma cirurgia na semana passada.

POLIALIANÇA – Se for mesmo cassado, será que o ainda governador Luiz Henrique vai conseguir reeditar a polialiança PMDB/PSDB/DEM/RBS em 2010?

02/03/2009

Lula

Sexta-feira, em Florianópolis, onde inaugurou a linha de transmissão Desterro-Palhoça da Eletrosul, o presidente Lula (PT) ficou surpreso quando, através do governador Luiz Henrique (PMDB), soube que o BNDES nega empréstimo para empresas do setor elétrico. Disse que tal posição é um “absurdo” e lamentou que “a gente passa o mandato e não percebe, se alguém não avisa”.

Fazendo uma velada menção aos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique (PSDB), Lula bem lembrou que este tipo de conduta do BNDES “valia no tempo em que o governo queria que as empresas públicas quebrassem para poder justificar a privatização. Mas para quem quer recuperar as empresas não é possível”. A seguir, outros trechos do discurso do presidente na capital catarinense:

Crise: “Agora que os especialistas do mercado mundial quebraram nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha, na França e no mundo inteiro, bancos que apareciam nos índices de fortaleza econômica com uma pizza deste tamanho, um gráfico desta altura, hoje as suas ações valem menos do que qualquer coisa no mundo, porque foram irresponsáveis, especularam, ganharam dinheiro sem produzir um parafuso ou uma porca. E agora quem vai salvá-los é o Estado, que não prestava. É o Estado, que não valia para nada, que eles querem agora que coloque dinheiro”.

G-20: “Este país tão humilde e tão achincalhado, quando sentar à mesa do G-20 certamente será um dos países que terá mais autoridade moral para falar como se cuida de um país. Lógico que nós temos problemas, temos problemas porque não estamos isolados no mundo, mas não podemos aceitar o protecionismo daqueles que há 20 anos diziam que era preciso acabar com o protecionismo e criar o livre mercado”.

Oposição: “Hoje, os pobres são menos pobres, muito menos pobres. E agora tem gente torcendo: ‘Puxa vida, graças a Deus vai ter um desempregozinho e aí o governo vai se ferrar’. Porque, gente, é impressionante, eu ando todo dia, vocês não vêem, mas eu coloco um galho de arruda aqui na orelha, porque o que tem de ave de mau agouro…”

Empregos: “Obviamente, nós vamos ter problemas de alguns setores da economia. Agora, nós precisamos saber é o patamar em que nós estamos hoje. O que nós precisamos saber é que nós estamos num patamar em que, em seis anos, foram criados quase 10 milhões de novos empregos. O que nós temos que saber é que nós vamos perder emprego em um setor e vamos crescer em outro”.

PAC: “As obras do PAC, na maioria delas, nós estamos contratando para trabalhar em dois ou três turnos, que é para gerar mais empregos, e muito mais empregos. Nós queremos é trabalhar em obras que não atrapalhem a população de dia e de noite, porque esse é o período em que nós precisamos fazer com que haja mais oportunidades de empregos no Brasil”.

Florianópolis: “Quando eu soube pela primeira vez que Florianópolis, com a quantidade de praias extraordinárias que tinha, era uma das cidades com menos tratamento de esgoto neste país, eu falei: não basta Deus dar as coisas boas para a gente, e a gente não saber cuidar direito”.

Santa & Bela: “Na divisão geográfica do Brasil, teve um cara muito esperto e muito malandro porque deixou o Rio Grande do Sul grandão, o Paraná grandão, Santa Catarina pequenininha, mas dizem que os melhores perfumes estão nos pequenos frascos, e as melhores praias estão neste estado”.

Baú

Foi marcada para o dia 9 de março, às 18h, em Ilhota, uma reunião para tratar dos problemas enfrentados pelos moradores do Morro do Baú. Os que conseguiram voltar para casa depois da catástrofe, encontram dificuldades para retomar a vida. Faltam escolas, transporte escolar, maquinário para trabalhar na agricultura, telefone, energia elétrica e estradas.

Habitação

O governo federal deve anunciar nas próximas semanas o plano que prevê a construção de um milhão de casas populares, até 2010, para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Espera-se que este plano tenha especial atenção com Santa Catarina, em virtude dos sérios problemas habitacionais provocados pela catástrofe do ano passado. Que os nossos prefeitos fiquem atentos.

Hipocrisia

Líderes da oposição, principalmente do DEM, criticaram o que chamaram de “pacote de bondade” do presidente Lula (PT) para os prefeitos, principalmente a renegociação das dívidas dos municípios com o INSS. No entanto, tramitam no Congresso Nacional três projetos de lei, de autoria do senador catarinense Raimundo Colombo (DEM), para “aliviar as finanças” dos governos estaduais. O “pacote da bondade” do Colombo prevê, entre outras coisas, refinanciamento das dívidas dos estados com a União…

Cruzes

A governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) se encontra em maus lençóis, principalmente depois que seu ex-assessor, Marcelo Cavalcante, apareceu morto no Lago Paranoá, em Brasília, dia 17. Marcelo foi uma das figuras centrais do escândalo de fraudes no Detran-RS, desbaratado pela Polícia Federal em 2007. Ele prestaria depoimento ao Ministério Público Federal e teria manifestado interesse em ingressar no Programa de Proteção a Testemunhas do Ministério da Justiça, embora não tenha formalizado o pedido.

SOS tucana

“A essa morte ainda não esclarecida vêm se somar as denúncias de que gravações em vídeo reforçariam as evidências de corrupção no primeiro escalão do governo Yeda, agregando detalhes a escândalos já conhecidos e revelando outros”, comentou o jornalista Fernando de Barros e Silva, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo dia 23, intitulado “SOS tucana”. O autor observou que Yeda “corre o risco de se tornar o emblema maior do desastre político-administrativo do PSDB”. O pedido de impeachment da governadora tucana tramita na Assembléia Legislativa.

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