Carlos Lupi: “Tenho o coração limpo”

Em entrevista exclusiva ao blog, o ministro do Trabalho e presidente nacional do PDT falou sobre a relação da geração de empregos e a popularidade da presidente Dilma Rousseff, a situação do Brasil ante a crise econômica internacional, a possível candidatura de Venício Bortolato a prefeito de Navegantes e as denúncias envolvendo seu ministério.

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Lupi, observado por Murilo Cordeiro, bate um ranguinho
na Colônia de Pescadores de Navegantes [Foto: Batha Vieira]

Ouça o áudio da entrevista com o ministro Carlos Lupi:

Carlos Lupi comemora o fato de o Brasil chegar à marca de dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro deste ano. “O emprego é o que dá cidadania, é o que dá qualidade de vida, é o que distribui renda. E com o aumento real de salário também, isso ajuda a fazer justiça social no país”, discursa.

Credita ao mercado interno nacional a “imunidade” do país frente a crise. “O mercado interno brasileiro é forte. Com ganho real o trabalhador aumenta seu poder de compra e movimenta a economia”. Também ressalta a política de valorização do salário mínimo implementada pelo governo Lula. “Nos últimos oito anos e meio, o salário mínimo aumentou 54% acima da inflação. Com o mercado interno mais forte, cria-se uma espécie de salvaguarda“.

Também sugeriu que as autoridades locais retomem o projeto de construção de uma ponte entre Itajaí e Navegantes. “É um absurdo a gente ter que ficar ainda atrapalhando todo o trânsito, parado 15 ou 20 minutos, para pegar uma barca para se fazer uma travessia de 400 metros”, reclamou.

A respeito das denúncias que têm sido publicadas na imprensa nacional envolvendo seu ministério, Lupi se diz tranquilo. “Estou totalmente tranquilo. Nada me compromete. Eu digo sempre o seguinte: não baste ter mão limpa, para ter mão limpa basta lavar com sabonete. Tem que ter coração limpo. Minha mente é limpa, meu coração é limpo. Não tem uma denúncia que apresente fato de nada”.

A pergunta parece ter incomodado o ministro. Mais tarde, ao convidar o ministro, através de seu assessor, para participar ao vivo de um programa na rádio Dengo Dengo, estabeleceu-se o seguinte diálogo entre o assessor do ministro e este jornalista:

Assessor: É você que estará lá na rádio?

Jornalista: Sim.

Assessor: Ah, então ele [ministro] não vai querer ir.

Entre os compromissos oficiais de Lupi na região, constaram a formatura de cerca de 300 jovens do curso “Projovem Trabalhador” e entrega do código sindical à Colônia de Pescadores de Navegantes, que passa a ter legitimidade de sindicato na representação da categoria.

Na agenda partidária, Lupi abonou a filiação do empresário Venício Bortolato ao PDT. Mas disse que ainda tem muita água para rolar até a eleição do ano que vem, ao ser questionado se Bortolato será mesmo candidato a prefeito de Navegantes.

Pissetti: “Draga custa menos que secretaria que aluga mansão”

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Pizzolatti e Pissetti na TVBE, quando o deputado
prometeu emenda para compra de draga

Presidente da Câmara de Vereadores de Itajaí considera “lamentável” a postura do prefeito Jandir Bellini (PP) em descartar a compra de uma draga para o rio Itajaí-Mirim com recursos de emenda parlamentar prometida pelo deputado federal João Pizzolatti (PP).

Ouça a entrevista ao blog do vereador Luiz Carlos Pissetti:

“Eu lamento se de fato foi esta a declaração dele. Eu tenho o Jandir como homem inteligente, custa-me acreditar que ele tenha respondido desta maneira”. Assim reagiu Luiz Carlos Pissetti ao ser questionado sobre o desinteresse do prefeito Jandir Bellini em comprar uma draga para o Itajaí-Açu com recursos do governo federal prometidos pelo deputado federal João Pizzolatti, através de uma emenda parlamentar no valor de R$ 300 mil.

A promessa da emenda parlamentar foi feita por Pizzolatti no programa ‘TVBE Entrevista’, apresentado por Sandro Garcia, na TV Brasil Esperança.  Pissetti acompanhou o deputado na ocasião. Na sexta-feira, o colunista JC publicou que o prefeito teria rejeitado a oferta, afirmando que não vai comprar a draga devido ao custo da manutenção do equipamento para o município. “No meu entendimento, a compra da draga está descartada”, disse o prefeito, de acordo com a coluna do JC.

Pissetti entende que não resta dúvidas da importância de um serviço permanente de dragagem no rio Itajaí-Mirim. “A draga que o [ex-governador]Luiz Henrique tinha colocado aqui no governo do Volnei, se tivesse continuado no governo do Jandir, com certeza teria minorado os efeitos da enchente”, defende.

O vereador também rebate a alegação de que o custo da manutenção seria inviável. “Com certeza, uma draga para o município custa muito mais barato que manter uma Secretaria de Habitação, que custa um milhão e meio de reais por mês só de salários de funcionários, aluguel de mansão no centro da cidade e não constrói uma casa. É uma questão de prioridade”, compara.

Dragagem está no PAC 2, diz Bellini

Ouvido pelo blog, Jandir Bellini revelou que a prefeitura já encaminhou projeto para obter recursos junto ao governo federal para dragar o Itajaí-Mirim.“Existe no PAC 2 a proposta de dragagem do rio Itajaí-Mirim, que nós chamamos de parque linear do Itajaí-Mirim e vai da BR-101 até a foz, inclusive com a retirada das famílias ribeirinhas”, informou o prefeito, acrescentando que também há tratativas encaminhadas com o governo do Estado.

Em novembro do ano passado, o Ministério das Cidades anunciou que o projeto do parque linear do Itajaí-Mirim é uma das obras contempladas do PAC 2 em Santa Catarina. A obra também consta no Decreto 7.488, da Casa Civil da Presidêcia da República, que discrima as ações do PAC a serem executadas por meio de transferência obrigatória. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2011.

Bornhausen: “PSD está fechado com o prefeito em Navegantes”

Principal articulador do PSD na região da foz do Itajaí, Paulo Bornhausen revela ao blog, em primeira mão, que o partido apoiará o projeto de reeleição de Roberto Carlos de Souza (PSDB)

Ouça a entrevista com Paulo Bornhausen

Entrevistado pelo blog durante a visita do governador Raimundo Colombo a Navegantes nesta sexta-feira [23/9], o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Paulo Bornhausen, não titubeou quando perguntado se o PSD apoiará o prefeito Roberto Carlos de Souza (PSDB) nas eleições municipais de 2012. “Aqui o apoio do PSD é fechado com o prefeito Roberto”, afirmou, sem rodeios.

“A minha posição é clara e a do PSD também. Há um acordo entre o PSD e o prefeito. Nós temos um nome que se colocou à disposição, que é o João [Joãozinho] Matos. Será feita uma pesquisa e o nome que tiver melhores condições para ser o candidato, será o candidato”, acrescentou Bornhausen.

A clareza da fala de Bornhausen contradiz o discurso do governador Raimundo Colombo, que preferiu ser mais cauteloso ao responder a mesma pergunta e disse que ainda não há nada definido. “O PSD vai ter o seu próprio projeto, temos boas lideranças aqui em Navegantes. Certamente, isso só será decidido no ano que vem”, declarou Colombo ao blog.

Colombo: “Canal extravasor em Navegantes é muito polêmico”

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Colombo assina convênio de R$ 1 milhão para
hospital de Navegantes [Foto: A.C. Mafalda]

Em entrevista ao blog, governador de Santa Catarina comentou possivel aumento da tarifa do ferry boat, situação do PSD em Navegantes e canal extravasor proposto pela JICA

Ouça a entrevista com o governador Raimundo Colombo

Se depender do governador Raimundo Colombo, os planos da Empresa de Navegação Santa Catarina terão que ser adiados, no que diz respeito ao cogitado aumento do valor da tarifa da travessia do rio Itajaí-Açu, entre Itajaí e Navegantes, pela balsa e ferry-boat. “Não há indicativo para aumento da tarifa”, frisou o governador em entrevista ao blog, na tarde desta sexta-feira [23/9], durante sua visita a Navegantes.

“O parecer não recomenda aumento. Os valores já são significativos, inclusive o Deter desembolsa R$ 250 mil por mês para complementar o custo”, argumenta o governador, referindo-se ao repasse mensal referente ao programa "Passe Livre” – na verdade, a quantia já ultrapassa R$ 300 mil por mês e o governo teria atrasado por alguns meses neste ano o repasse dos valores, segundo fontes no blog.

Procurada pelo blog, a direção da empresa preferiu não se pronunciar neste momento sobre as declarações do governador, o que deverá ser feito na próxima semana.

Canal extravasor é polêmico

Questionado sobre a proposta da agência de cooperação internacional japonesa JICA, que prevê a construção de um canal extravasor em Navegantes para amenizar os efeitos da enchente em Itajaí, Colombo enfatizou que a primeita etapa do projeto, aprovada pelo governo, não contempla o sugerido canal que tanta preocupação gera no povo navegantino desde a década de 1980.

Colombo concorda que a questão deve ser vista com cautela. “O canal extravasor seria uma coisa muito polêmica, com impacto ambiental e precisa ser muito estudado ainda. Não tem nenhum encaminhamento neste sentido”, afirmou o governador ao blog, demonstrando assim que dificilmente o canal terá aprovação do governo de Santa Catarina.

A JICA apresenta o canal extravasor como alternativa de menor impacto econômico e social. “O canal foi projetado para não provocar enchente em Navegantes”, disse o líder dos japoneses, durante apresentação do projeto na quarta-feira [22/9], em Blumenau, respondendo a questionamento do blog feito através do prático Alexandre Gonçalves, que esteve presente no encontro da Associação Comercial e Industrial de Blumenau (Acib).

 

Jandir Bellini: “São momentos difíceis, mas superáveis”

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Prefeito teme desinteresse de empresários na cidade [Foto: Batha Vieira]

Em entrevista ao blog, o prefeito de Itajaí, Jandir Bellini, demonstrou preocupação com o possível desinteresse de empresários em investir na cidade. “Depois de duas enchentes recentes, pode haver receio de instalar empresas em nossa cidade”, observou. “Mas são fatores climáticos. Os Estados Unidos tem furacões, o Japão, terremoto. São momentos difíceis, mas superáveis”.

Bellini assumiu seu terceiro mandato como prefeito em janeiro de 2009, logo depois da última grande enchente. Ele acredita que os investimentos na Defesa Civil contribuíram para preparar melhor a cidade. “Investimos cerca de R$ 300 mil no nosso sistema de telemetria”, pontua. “O nível dos rios que cortam a cidade são monitorados a cada 15 minutos. Isto nos permitiu alertar a população antes de a água subir”.

Ouça a íntegra da entrevista com Jandir Bellini (11’54):

Comerciante desabafa sobre demolição de quiosques

O comerciante Ariston Dalago usou a tribuna da Câmara de Vereadores de Navegantes, na sessão da última quinta-feira [15/9], quando fez um contundente desabafo sobre a situação dos quiosqueiros da praia. Queixou-se, principalmente, do prefeito Roberto Carlos de Souza (PSDB) e do ex-Procurador-Geral do Município, Fabiano Zucco, a quem qualificou como “inimigo”. Após a sessão, Dalago concedeu entrevista ao blog.

Alvos de ação do Ministério Público Federal (MPF) que tramita há mais de uma década, alguns quiosques já foram demolidos e outros estão com os dias contados. A alegação é que os quiosques foram construídos em área de preservação permanente e são, portanto, irregulares. O primeiro quiosque da orla marítima de Navegantes foi erguido em 1986, na gestão do então prefeito Domingos Régis.

Para inviabilizar a permanência dos comerciantes nos quiosques que, por força de liminar judicial, ainda não foram demolidos, a prefeitura cortou o fornecimento de água e soliciou à Celesc o corte de energia elétrica, embora o processo ainda não tenha transitado em julgado.

No lugar dos quiosques antigos serão construídos novas estruturas “ecologicamente corretas” e que serão concedidas através de licitação. Resta saber quando a prefeitura de Navegantes procederá a demolição do próprio paço municipal, construído em área irregular a poucos metros do rio Itajaí.

Ouça a entrevista com o comerciante Ariston Dalago:

Colombo: “Desta vez, sabíamos antes do impacto”

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Raimundo Colombo concede entrevista em Itajaí [Foto: Batha Vieira]

Ouça o áudio: entrevista com o governador Raimundo Colombo

Ouça o áudio: entrevista com o secretário Geraldo Althoff

Enchente em Itajaí e região

Em sua passagem por Itajaí na tarde deste sábado [10/9], o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, concedeu entrevista ao blog, na qual garantiu a liberação de R$ 7 milhões para cidades do Vale do Itajaí mais afetadas pela enchente. Blumenau, Itajaí, Rio do Sul e Brusque serão contempladas com R$ 1,5 milhão cada, enquanto Gaspar receberá R$ 1 milhão.

Questionado pelo blog sobre a burocracia no repasse dos recursos, o governador garantiu que a destinação será imediata – o dinheiro estará disponível na manhã de segunda-feira. “Os recursos serão depositados diretamente na conta da Defesa Civil de cada município”, esclareceu. Segundo ele, a ajuda deverá ser empregada na compra de itens emergenciais, como água, comida, colchões e material de limpeza. O governo estadual também doará cestas básicas aos municípios atingidos.

Na visão do governador catarinense, percebe-se evolução nos serviços de alerta de Defesa Civil desde a última grande enchente que assolou o Estado, em novembro de 2008. “Desta vez, nós sabíamos antes do impacto, houve toda uma fase de preparação, de informação. Nós sabíamos a intensidade das chuvas e do que iria acontecer. Isso foi fundamental para poder se proteger”, comparou. No caso de Itajaí, o alerta foi dado pela Defesa Civil local na manhã de quinta-feira.

Também ouvido pelo blog, o secretário estadual de Defesa Civil, Geraldo Althoff, que acompanhou o governador na visita a Itajaí, endossa o entendimento de que neste ano o poder público conseguiu ser mais eficiente no alerta. “A gente nota que as defesas civis municipais estão muito mais aptas e preparadas. Isso é muito claro. O número de óbitos que estamos tendo é muito baixo para um evento desta magnitude, exatamente porque houve um processo preventivo em termos de alerta”, observou.

Embora o número de mortes seja inferior ao registrado na enchente de 2008, a quantidade de desabrigados e desalojados é equivalente. “Isto se dá porque nós não podemos ir contra a força da natureza, mas as atitudes preventivas que o governo do Estado haverá de começar a fazer em breve, farão com que tenhamos menos comprometimento nestes eventos”, afirma o secretário.

Plano de prevenção para 50 anos

A aposta do governo de Santa Catarina para amenizar os impactos das enchentes, principalmente na região do Vale do Itajaí, é o projeto que está sendo elaborado em parceria com a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA). “É um projeto bastante profundo, que vai trazer uma solução em longo prazo e é específico, nesta primeira etapa, para o Vale do Itajaí”, disse Colombo ao blog.

O projeto consiste em propor medidas preventivas para enchentes, deslizamentos e sistemas de alerta. O estudo oferece direcionamento estratégico e abordagem sistêmica de um conjunto de medidas para compor um plano integrado de prevenção e mitigação de desastres para a Bacia do Rio Itajaí para os próximos 50 anos.

Desde novembro de 2009, quando foi assinado o acordo de cooperação entre o governo catarinense e a agência japonesa, foram realizadas mais de 70 reuniões e audiências publicas para troca de informações, coleta de dados, apresentação e discussões de propostas de soluções, envolvendo instituições públicas estaduais e municipais, universidades e especialistas das áreas de hidrologia, geologia, alarme e alerta, sistemas de cheias e meio ambiente.

“Para evitar perdas de vidas humanas por deslizamentos, a primeira medida proposta é a instalação de sistema de alarme baseado na precipitação de chuva para todo o estado de Santa Catarina. É necessário também o desenvolvimento de lotes seguros para moradia e a regulamentação e instalação de sistema de escoamento de superfície que devem obedecer ao propósito de não agravar enxurradas e enchentes”, explica artigo publicado pela Comissão de Estudo Preparatório da Bacia do Rio Itajaí.

Entrevista: Roberto Carlos de Souza (PSDB)

Em entrevista exclusiva ao blog, o prefeito de Navegantes, Roberto Carlos de Souza (PSDB), falou sobre o aniversário de 49 anos de emancipação política do município, a assinatura do convênio de R$ 15 milhões do PAC 2 para a segunda fase da obra de macrodrenagem, o caso dos remédios vencidos e as conversas políticias visando as eleições municipais de 2012.

Ouça o áudio:

Bornhausen: “PSD será o partido mais forte de Itajaí”

Em entrevista exclusiva à coluna, o deputado federal licenciado e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Paulo Bornhausen, deixou claro que o projeto do PSD visa as eleições presidenciais de 2018. Ou seja, provavelmente Eduardo Campos (PSB) se manterá aliado ao PT em 2014 e só quatro anos mais tarde se aliará a Aécio Neves (PSDB) em torno de um projeto alternativo.

Bornhausen afirma com todas as letras que Dalva Rhenius será a grande líder do PSD em Itajaí, ainda que a vice-prefeita, até o momento, mantenha uma postura discreta e cautelosa quando o assunto é o novo partido. O secretário demonstra confiança na formação do PSD e aposta que estará a futura sigla estará “forte” nas eleições municipais de 2012.

Ouça o áudio:

Trechos da entrevista:

O governo Colombo tem tido um ótimo relacionamento com o governo federal, em grande parte pela amizade do governador com Antonio Palocci. Uma vez que ele saiu e Ideli Salvatti assumiu a articulação política, isso ajuda ou atrapalha?

Bornhausen – Já vivemos um momento parecido com esse. Quando o senador Jorge Bornhausen foi secretário da Casa Civil (governo Collor) e ministro da Educação (governo Sarney), ele imediatamente abriu as portas para Santa Catarina. Ele não fez diferenciação entre partidos políticos. Nós somos tão prejudicados por parte do governo federal que quando nós temos a chance de ter, em determinadas épocas da nossa história, força política em Brasília, nós temos que utilizar. Eu acredito que a senadora Ideli vai olhar desta forma Santa Catarina. Pelo menos o Cláudio Vignatti olhava assim. É uma oportunidade única. A gente deixa para a eleição nossa disputa local, mas durante o período que se tem acesso às burras federais, você tem que juntar as forças políticas.

Em Itajaí, a vice-prefeita Dalva Rhenius tem sido muito cautelosa ao falar do PSD, o vereador Douglas até já disse que talvez não saia do DEM… enfim, não assumem uma postura firma em relação ao PSD. Qual é a situação do PSD? Está ameaçado de não sair?

Bornhausen – Isso é um terrorismo, há todo um contexto. O PSD é um partido que já nasce forte. E aqui em Itajaí vai nascer mais forte ainda, sob a liderança da Dalva. Com ela, com o vereador Renato [Ribas Pereira], com o Douglas e com outros que vão se juntar ao projeto. É um projeto vencedor puxado pelo Raimundo Colombo aqui em Santa Catarina. Estamos absolutamente prontos para fazer as convenções municipais que devem acontecer nos próximos dias e a estadual ainda neste mês. Nós vamos estar firmes na eleição municipal. O que está acontecendo é ‘ah, botaram um morto na lista’ e tal, ou é gente desavisada que tem que ser excluída do processo de montagem do partido, que é uma minoria, ou então é um adversário. Tem muita gente que está desagradada com essa possibilidade. Ninguém acreditava que o governador Colombo e seu grupo político pudessem fundar um novo partido. Não vamos voltar atrás e aqui em Itajaí o PSD vai ser o partido mais forte da cidade, não tenho dúvida.

O PSD pode vir a integrar a base do governo Dilma. Como ex-líder da oposição e um crítico dos governos petistas, o que o senhor acha disso?

Bornhausen – Nosso projeto visa o futuro. Em 2018, nós desejamos ter o presidente da República. O grupo politico que está aí, dos partidos tradicionais, está indo embora. Está entrando um novo grupo político. Não sei quem virá do PT nesse grupo político da nova geração, mas tem o Eduardo Campos em Pernambuco, tem o Eduardo Paes no Rio de Janeiro, Kassab em São Paulo, Colombo em Santa Catarina. É um grupo que vai fazer política nos próximos 25, 30 anos. Não estou preocupado com a eleição de 2014, estamos preocupados em montar um partido para chegar em 2018 com uma nova geração no Brasil. Não vou aderir à Dilma, não vou aderir a ninguém. Quem está entrando no PSD tem sua posição e vai ser respeitado. Se o objetivo é chegar a 2018, é para lá que nós vamos construir. Em 2014 vai ser decidido à época. Tem gente que entrou no partido apoiando a Dilma e vai continuar apoiando, tem gente como nós que não tem essa ligação de apoio e não vamos apoiar. Agora, eu não vou deixar de colaborar com o governo federal no momento em que Santa Catarina precisa do apoio do governo para fazer obras que não são para mim ou para o Colombo, são para a população. Da minha parte, o que está errado eu vou criticar, o que está certo vou reconhecer e agradecer, mas não me tenha como aliado, porque não sou um aliado. A não ser que me convença que este é o melhor projeto, mas até agora não estou convencido.

Outro boato envolvendo o PSD dá conta de uma futura fusão com o PSB. Isso tem algum fundamento?

Bornhausen – As pessoas não estão mais votando em partidos, estão votando em pessoas. É possível que no deslocamento de pessoas, no futuro, possa haver a fusão em agremiações partidárias. Não sei se é essa, mas pode acontecer. Eu não faria um exercício de futurologia para isso, mas eu diria para você: o cenário de 2018 vai ser um cenário que você não está enxergando hoje, mas é um cenário das novas gerações e, portanto, você vai poder ver de repente o Eduardo Campos com Aécio Neves, ou Kassab com Aécio ou com Eduardo Campos, ou com o Colombo, ou com alguém do próprio PT que a gente não sabe quem pode surgir da nova geração. Vai surgir uma nova geração e é aí que vai se fazer uma composição. Você pode dizer ‘esse aí é mais à esquerda, esse ali é mais à direita, ao centro’, vai ter de tudo um pouco. O que as pessoas exigem é resultado. O cidadão não aguenta mais enrolação.

Boppré: "PSDB e PT têm a mesma política"

Presidente nacional do PSOL, Afrânio Boppré [Foto: psol50.org.br]

Em entrevista exclusiva ao blog, o presidente nacional do PSOL, Afrânio Boppré, criticou o governo Dilma e falou da preparação do partido para as eleições municipais de 2012. Economista e professor, foi deputado estadual pelo PT e vice-prefeito de Florianópolis no governo Grando (1993-1996). Boppré acredita que o PT abandonou a defesa da classe trabalhadora e coloca o PSOL como alternativa de esquerda para o Brasil.

Ouça o áudio:

Como presidente nacional do PSOL, que avaliação o senhor faz dos seis primeiros meses do governo Dilma?

Boppré – O governo Dilma dá continuidde a um pacto de dominação que vem desde a crise do governo Collor (1990 – 1992). É um governo que amplia os seus compromissos com o mercado, é um governo que para se reproduzir no poder faz alianças com aqueles que sempre estiveram no poder. Inclsuive, foi feita um deslocamento da ministra da Pesca para Relações Institucionais. Ou seja, quando ela [Ideli Salvatti] assumiu, ela disse “olha, vou botar meus anzóis no mar para pescar os tubarões”. Como? Com cargos e liberações de emendas parlamentares. Isto significa que a prática política do governo é a prática conservadora, a prática tradicional da direita. Não pode ter um governo de mudança com práticas que não são de mudanças. Isto é uma demonstração de que o status quo está mantido.

E a questão dos juros?

Boppré – O governo não tem seis meses e já teve quatro aumentos na taxa de juros. O Brasil é o campeão mundial de taxa de juros. Enquanto os professores estão em greve em Santa Catarina, os bombeiros no Rio de Janeiro, os banqueiros têm lucros vultuosos. É preciso que a população saiba que 45% do orçamento da União, na casa de R$ 635 bilhões, são destinados para pagamento de dívida. Para a educação, somente 2,8%. É um governo de estabilização dos interesses capitalistas.

Como o PSOL está se organizando para as eleições municipais de 2012? Em Santa Catarina, terá candidatos a prefeito nas principais cidades?

Boppré – Nós temos um planejamento estadual. Queremos trabalhar com as chamadas cidades pólos: Joinville, Criciúma, Blumenau, Rio do Sul, Itajaí, Chapecó. E queremos continuar, não estamos plantando uma alface, é uma araucária. Todo projeto inicia com os primeiros passos. A eleição municipal é um espaço importante, eu chamo de eleição de raízes, onde a gente entra na comunidade, entra na cozinha da cidade, o que é fundamental. Eu creio que nós vamos fazer a primeira geração de vereadores do PSOL no Brasil inteiro. O povo tem dados sinais de que percebe segurança no PSOL, percebe que é um partido necessário e que defende as grandes causas, as bandeiras históricas da luta dos trabalhadores.

Em Itajaí, já há algum nome que deve ser lançado como pré-candidato?

Boppré – Não, por enquanto não vamos falar em nomes, vamos falar em botar o time em campo.

A candidatura de Plínio de Arruda Sampaio à presidência conseguiu causar algum impacto, principalmente nas redes sociais da internet. Qual legado esta candidatura presidencial deixou para o PSOL?

Boppré – O Plínio dignificou a eleição, ele politizou aquele processo eleitoral e mostrou que tem muito espaço para uma alternativa de esquerda no Brasil. Até porque a direita está se unificando. Quando você vê o DEM e o PSDB fazendo algum combate ao governo do PT, é um combate em pequenas causas, no varejo. No atacado, eles têm a mesma política. Quem pode apresentar uma alternativa hoje é o PSOL. Temos legitimidade social e estamos nos preparando cada vez mais e ampliando nossa força.

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